Livre_expressao

sábado, julho 23, 2016

Porque eu sou Feminista


Eu poderia trazer um milhão de motivos para responder a esta pergunta, mas resolvi contar as minhas histórias.
Eu podia trazer discursos óbvios, porém ainda importantes, eu poderia falar de casos que vimos pela TV, ou de exemplos que vem de países árabes / africanos. Eu podia contar histórias de amigas minhas, eu poderia simplesmente indicar links e artigos já publicados na internet.

Mas ainda, vou começar pela minha história.

Eu sou feminista desde criança. Não porque eu sabia o que era feminismo, mas porque eu percebia a desigualdade, e só achava injusto, e reclamava disso.
Pequena ainda, antes de completar 5 anos de idade, fui abusada sexualmente, sem ter nem ideia do que estava acontecendo. Só me dei conta disso muitos anos depois. Essa história, eu prefiro não detalhar.

Aos doze anos, eu e minha amiga descobrimos que éramos sócias do mesmo clube. Felizes, fomos passar juntas o dia na piscina. O que era para ser um passeio muito legal e divertido, na verdade foi uma tarde esquisita. Homens mergulhavam bem perto da gente, e ao nadar, esbarravam na nossa bunda. Eu tinha 12 anos, e não entendi direito, tive a sensação de que o clube não era legal, porque a piscina era muito “cheia de gente”, mas hoje eu sei, havia espaço suficiente para todo mundo. Estávamos sofrendo uma forma de abuso sexual. Nunca mais voltei ao clube.

Aos treze anos, um velho, de bengala, passou por mim e me chamou de puta, em italiano. Porque eu usava short e meia calça. Aos treze anos.

Aos catorze anos, minha amiga chegou machucada na escola. Com alguma insistência, ela me contou que o namorado havia batido nela. Vi esta cena se repetir com outras amigas adolescentes. E aos 20 anos isso aconteceu comigo também.

Aos oito anos da idade, numa semana de calor infernal, fui à escola, na segunda série, com a camiseta da escola e uma saia, de tecido xadrez e rendinha na bainha, que a minha avó tinha feito para mim. A saia ficava na altura dos joelhos, e nada poderia ser mais infantil, singelo e caseiro do que aquela saia. O tempo virou e eu comentei com o inspetor da escola que eu estava com frio, e o que eu ouvi foi “Bem feito. Quem mandou vir de saia para mostrar as pernas pros meninos.”

Com quatorze anos, fui a uma festa na praia, num sábado à noite. Um cara mais velho, mais alto, mais forte, apalpou minha bunda. Olhei para ele brava, e ele ameaçou me bater.

Aos dezesseis, andando pela Avenida Paulista num sábado de manhã, um cara passou de bicicleta e tascou a mão na minha bunda, e levantou minha saia. Continuei andando pela rua, chorando. Ao contar para um amigo o que havia acontecido, ele me disse “Puxa, se eu fosse mulher e passassem a mão na minha bunda, eu ia gostar. Sinal de que eu sou gostosa.”
Durante a faculdade de cinema, ao decidir que queria dirigir meu próprio curta metragem, ouvi de um amigo “Que história é essa? Você está muito independentezinha, hein?”

Trabalhei como secretária e meu chefe disse que “eu podia treinar fazer umas massagens nele”. Trabalhei como professora, e o dono da escola me ofereceu carona e pousou a mão na minha coxa durante a viagem.

Fui à Argentina, e um homem passou a mão na minha perna, dizendo que sabia que mulheres brasileiras eram todas putas.

Trabalhei como garçonete na praia, e um cliente queria me pagar a conta colocando o dinheiro no meu decote.

Trabalhei como garçonete em uma chopperia e um cliente deu um tapa na minha bunda depois que me virei para buscar seu pedido. Ao dizer ao dono da chopperia que eu não atenderia mais aquela mesa por causa disso, ouvi “Ah, pare com isso, um tapinha não dói.”

Uma vez fui ao médico para um exame. O médico estava sozinho em seu consultório. Quando eu entrei, ele me olhou da cabeça aos pés antes de dizer que iria me atender. Na hora de checar meu peso, passou a mão nos meus seios.

Aos dezenove anos, um homem casado me convidou para passar a noite com ele. Disse que não tinha o mínimo interesse em sair com homens casados. Ele disse que eu era patética.

Apanhei aos onze anos, de um colega de sala. Ele bateu na minha cara, porque eu contei à professora que ele estava me chantageando. Ele queria que eu pagasse um Halls para ele, e em troca ele devolveria uma peça importante de uma máquina eletrostática que eu utilizaria na apresentação da feira de Ciências.

Sou simpática, sorrio muito e me comunico facilmente com pessoas que não conheço. Quantas vezes fui mal compreendida por homens que achavam que eu estava dando bola para eles porque havia cumprimentado, comentado algo ou dado um sorriso.

Uma vez, levei meu namorado para jantar em um restaurante que eu conhecia. Escolhi o prato e paguei a conta. O garçom perguntou indignado ao meu namorado se “era normal eu fazer a escolha e pagar no final”.

Fui trabalhar às seis da manhã, enquanto meu marido ficava em casa cuidando da nossa filha, em um sábado de chuva. O taxista perguntou “que negócio é esse do marido ficar dormindo enquanto a mulher vai trabalhar.”

Se estou ao lado de um amigo, ou do meu marido, os garçons mal olham para mim, mesmo quando eu faço um pedido ou uma pergunta, os garçons teimam em responder olhando para o homem que me acompanha. Eu me sinto ignorada nestas situações. Uma vez comentei isso com um amigo, e ele me disse “Ah, mas eu entendo. É sinal de respeito.” Respeito por quem? Porque ser ignorada é um desrespeito, na minha concepção. Mas ninguém se importa com o que as mulheres sentem, ou pensam. São apenas mulheres. O diálogo deve ser feito entre os homens, que supostamente, devem comandar a situação, ao menos aparentemente.

Comentei com um colega que estamos no século XXI, que não podemos ignorar discussões sobre igualdade. O que ele me disse? “O brasileiro passa fome. Precisamos primeiro cuidar disso, daí então pensamos em igualdade.” O que uma coisa tem a ver com a outra? Quem se importa?

Por que eu sou feminista? Porque eu tenho que ser. Porque eu tenho que estar do lado das mulheres. Porque estamos sozinhas na luta. Porque poucos homens entendem isso. Porque culturalmente quase todo mundo é machista, sem nem perceber isso. Porque aprendemos desde pequenas que somos inimigas e rivais umas das outras e que o melhor que pode nos acontecer é encontrar um bom marido, nem que para isso tenhamos que destruir amizades com outras mulheres.

Porque crescemos acreditando que precisamos de um homem para nos completar, que solteiras estamos em desvantagem, que temos que desejar ser mães. Que se um homem também assume funções de cuidado com os filhos, eles estão nos ajudando, porque a função mesmo, é nossa. Assim como a casa e o fogão.

Sou feminista porque sofri praticamente quase todos os tipos de violência por ser mulher. E tive que lidar com a culpa, pela roupa que escolhi, pelo lugar que freqüentei, pelo jeito que um namorado me tratava, pela forma que ri, pelo tom que falei, pela pose das minhas pernas. Pela mensagem que não transmiti, mas ele fez questão de entender. Culpa.

Sou feminista porque devo defender meu gênero, meu sexo, a autonomia em lidar com meu próprio corpo.

Porque não posso achar normal que todos estes homens que tocaram meu corpo sem minha permissão ou consentimento, tinham direito a isso. Não posso achar normal que façam piadas sobre as mulheres serem fúteis, burras, inimigas, traidoras ou interesseiras. Não posso achar normal o turismo sexual incentivado pela mídia do meu país.

Porque vivemos na cultura do estupro. Porque mulheres morrem em países do Oriente Médio porque foram vendidas a seus maridos aos oito anos de idade, e não sobreviveram à lua de mel, e isso é considerado “triste, mas normal”. Porque em muitos lugares do mundo, a vida de uma mulher não vale nada. Porque 48% das mulheres agredidas declaram que a violência aconteceu em sua própria residência. Porque aproximadamente 40% de todos os homicídios de mulheres no mundo são cometidos por um parceiro íntimo. PORQUE A CADA 11 MINUTOS UMA MULHER É ESTUPRADA NO BRASIL. E principalmente porque há tantos motivos que não caberia num só texto.

Não acho o machismo natural. O machismo machuca, fere, traumatiza e mata. O feminismo liberta.

A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER COMEÇA COM O DESRESPEITO.

É por isso que eu sou feminista. E quanto a você, deveria ser também. Não faltam motivos.

Texto e Foto: Ariadne Catanzaro

segunda-feira, fevereiro 09, 2015

MEMÓRIAS DA VIZINHA DO ESTÁDIO


“Há muito tempo eu vivi calada, mas agora resolvi falar…”.

Sou moradora do bairro da Pompeia, em SP. Bairro tradicional de colonização italiana, bem localizado, com fácil acesso a parques, shoppings, metrô, teatro, restaurante etc etc etc. Bairro, inclusive, que sedia o também tradicional estádio do Palestra Itália, agora chamado de Allianz Parque.

Nasci neste bairro, cresci frequentando os bailes infantis de carnaval do clube. Minha festa de formatura foi lá também. Na adolescência assisti a legendários shows de rock neste estádio, e recentemente vi de perto meu Beatle favorito, lá também.
O estádio do Palmeiras faz parte da minha história.

Que pena que não são só belas referências que ele me traz. Na verdade, estas são a minoria.
Dei azar de morar ao lado de um estádio em um país onde a estatística de morte e violência no futebol é uma das maiores do mundo. Sim, do mundo.

Da minha janela já vi todo tipo de violência que você pode imaginar. Brigas de torcida. Brigas entre torcedores do mesmo time. Brigas entre a polícia e os torcedores. Brigas entre gente que estava passando na frente da sede da torcida organizada. Briga disso, briga daquilo, briga briga briga.

Vi cenas horríveis, inacreditáveis. Tenho náuseas de lembrar.
Vejo, ainda da janela de casa, torcedores chegarem escoltados, com “cantos e rimas” que exaltam explicitamente discursos de ódio e estupidez.

Sinto pena de tamanha miséria. E sinto muita raiva também. Muita.

Parece que tudo isso é normal. Sim, isso é tratado como normal. Em dias que antecedem os jogos, as pessoas me dizem “Nossa, amanhã vai ser difícil lá no seu bairro, hein?” “Está preparada para a bagunça que vai ser?” (Bagunça=violência, ok?).

Uma vez, cedi minha casa para uma festa, um chá de bebê de uma amiga. Aquele clima “fofo”, pacotes de fraldas, mamadeiras e chupetas. Era dia de jogo. Palmeiras e Santos. A polícia e a torcida entraram em confronto. Trocaram tiros. Na porta da minha casa. Os convidados do chá de bebê se jogaram no chão da sala, com medo. Eu também. Arrisco a dizer que fui a primeira a deitar no chão e gritar “Protejam-se”. Exagero ou não, o clima estava tenso, e estragou a festa, claro. Quem consegue falar de conjunto pagão, mijõezinhos, cotonetes e Hipoglós depois de um tiroteio?

É assim. No dia seguinte, vida normal. Talvez eu tenha lido na manchete que duas ou três pessoas ficaram feridas, ou até que conseguiram prender dois ou três vândalos. Grande coisa, hein? Dois ou três? E você jura que a confusão foi causada por duas ou três pessoas? Ou que a polícia não conseguiu identificar os outros?

Não... a confusão foi causada por uma cultura presente neste país, em vários campos da sociedade, que é a cultura da impunidade. A triste, deprimente, revoltante, cultura da impunidade. Uma palhaçada, que honestamente não tem graça alguma. Piada de mau gosto.
Ontem teve um clássico aqui no bairro. Eu, na verdade, acho clássico uma palavra bem pouco apropriada para a violência instalada em um jogo do Palmeiras e do Corinthians. Na teoria, uma beleza, dois grandes times, rivais desde sempre, se enfrentam mais uma vez. Na prática, um clima pesado desde o dia anterior. Encontros marcados pela internet, hora certa para brigar. Pessoas que saem de casa somente e para exercer sua agressividade destrutiva predatória. A polícia, tensa. A televisão sedenta por sangue. Helicópteros, camburões, tropas de choque, gás lacrimogênio, uns tantos correndo, uns outros caídos, sangrando, quebra-quebra, a rua da minha casa transformada em cenas de uma guerra particular.

Na imprensa leio que, depois da briga de ontem cinco palmeirenses serão vetados de ir a jogos em estádio. Uau! Não sei o que me impressiona mais: a notícia de que alguém foi punido (finalmente), o número ridículo de pessoas responsabilizadas, ou a piada que é a punição. Não preciso explicar porquê. Você entendeu. E acredito que também achou “tudo isso uma grande piada e um tanto quanto perigosa”.

Pois na mesma matéria, li que um dos cinco azarados, foi punido porque “portava dez barras de ferro e cinco cabos de enxada quando se dirigia à sede da Mancha Alviverde”. Está bom ou precisa mais?
A questão é que a mídia fala e mostra a desgraceira que é a violência causada por causa do futebol, o vandalismo absoluto que tira do cidadão comum o direito de ir e vir, e no meu caso, por causa do gás lacrimogênio, até mesmo a liberdade de abrir a janela num dia no verão. Afinal, quem se importa?

É isso, é aí que eu quero chegar, quem se importa??? Porque me parece que a violência instaurada e legitimada dentro, e fora, dos estádios de futebol, não é de fato problema de ninguém. É assim, todo mundo já sabe que “vai ser a maior bagunça”, e nada muda.
Isso para não citar o número gigante de pessoas que se acumulam nos arredores dos estádios que além da violência física e moral, trazem lixo, muito lixo pras nossas ruas, mijam nas portas das nossas casas, param os carros na frente das nossas garagens, e sentem-se protegidos pelo sentimento de serem parte da massa. São selvagens.

E apesar do meu desabafo, sei que estou falando meio que sozinha. Mas um pouco aqui, e um pouco lá, encontro forças em discursos e lutas que me mostram que o mundo não está tão ao contrário assim, que há aqueles que ainda acreditam que isso tudo é absurdo, e que há de se fazer alguma coisa. Algum dia, quem sabe. Por enquanto, teimo em gritar sozinha, daqui da janela, sem antes esconder o rosto, porque, claro, eu também tenho medo.

Ariadne Catanzaro

quarta-feira, março 07, 2012

Reflexões sobre o Dia Internacional da Mulher


Mulheres, vamos à luta! Mais uma vez!

Dia 08 de março é o dia internacional da mulher.

Isso todo mundo sabe.

Nem todo mundo sabe por quê.

Resumindo: Em 08 de março de 1957, operárias de uma fábrica de tecidos em Nova Iorque, fizeram greve, reivindicando melhores condições de trabalho. Queriam reduzir a jornada de trabalho de 16 horas para 10 horas por dia. Reivindicavam também equiparação de salários com os homens, pois elas chegavam a ganhar até três vezes menos para fazer o mesmo trabalho. A manifestação, claro, foi reprimida com muita violência. Atearam fogo à fábrica onde as mulheres estavam, a fim de acabar com a greve, porém 130 tecelãs morreram carbonizadas neste episódio.

No mínimo desumano, hã?

Em 1975 a data foi oficializada pela ONU como o Dia Internacional da Mulher.
Vamos refletir... é um dia para se comemorar? A princípio não. Em muitos países, conferências são realizadas com o objetivo de discutir o papel da mulher na sociedade. O objetivo é diminuir o preconceito e o desrespeito à mulher. Digo diminuir, porque sinceramente não acho que vai acabar.

Não acho que nenhum tipo de preconceito ou discriminação acaba. Isso é muito forte e enraizado na sociedade e passa de gerações a gerações. Sempre haverá preconceito e discriminação à mulher, ao negro, aos deficientes físicos etc e tal. Porém, é bom que diminua. Muito bom.

E olha que corajosas e que importantes foram estas mulheres tecelãs de 1857. Estamos aqui hoje a discutir sobre o assunto, no mundo inteiro, por causa da garra e coragem delas.

E mulheres com estas, guerreiras, estão por toda parte, no nosso dia-a-dia, nas nossas casas, nas ruas, em todos os lugares.

Em 24 de fevereiro de 1932, no Brasil, foi conquistado (finalmente) o voto feminino. Bem tardiamente, se pensarmos que a reivindicação já estava sendo discutida desde o final do século XIX.



Hoje, além de votar, elas podem também ser eleitas. Olha só, que grande passo.
Não preciso falar de conquistas como o mercado de trabalho, cargos de presidência e diretorias em grandes corporações, salários equivalentes aos dos homens etc, porque disso – eu acho - todo mundo já sabe.

Nós chegamos lá. Dizem por aí, que as mulheres ainda não conquistaram o mundo porque estão escolhendo a roupa apropriada para a ocasião.

Piadinhas à parte, porque este texto não tem o objetivo de ser engraçado, ainda acho que estamos muito distantes de chegarmos onde quer que seja... calma, vou explicar meu pessimismo.

Há uns anos, no dia internacional da mulher, estava eu indo trabalhar, de ônibus.
Olhei ao redor, ônibus cheio. Muitas mulheres. Trabalhadoras. Senti orgulho da data, senti orgulho das conquistas. Senti orgulho da tremenda mudança na sociedade, em virtude da luta das mulheres, em apenas um século. Um século parece muito. Uau, 100 anos. Mas se pensarmos em quanto o mundo mudou no século XX, é muita coisa prá 100 anos!

Algumas inventaram a mini saia, outras queimaram o sutiã. Lindas essas mulheres corajosas.



Bom, estava eu lá no ônibus, feliz por ser mulher. Um homem, grande e gordo, me olhava sem parar. Fiquei incomodada com o olhar insistente dele. Ele não parava de olhar. Dava medo.

Quando eu fui descer do ônibus, no meio da confusão de gente prá lá e gente prá cá, eis que surge uma mão na minha bunda.

Não deu tempo de nada. Desci rapidamente do ônibus, meio em choque, com ódio.
Desci a rua chorando.

Pensei que ainda somos vítimas destes tipos de situação. E daí que era dia da mulher? Não fez diferença para ele. Violência sexual acontece todos os dias. E passar a mão na bunda de alguém é sim considerado uma forma de crime sexual, e sinceramente, depois desse episódio eu passei a achar que passar a mão na bunda dos outros devia dar cadeia! Mas sabemos que há coisa muito pior que isso. Os crimes sexuais ainda nos assustam, ainda nos acuam. E muitas vezes nos calam. A violência contra a mulher, de todas as idades, ainda é grande, e ainda está longe de acabar.

Por isso, torço e luto, com toda minha força, para que, se como o preconceito, essa violência nunca acabar, ao menos que diminua, que diminua muito.

Que possamos ser mulheres sem medo da feminilidade, da sensualidade e da sexualidade.
Que sejam castrados pela sociedade, através de movimentos sociais, mobilizações e leis rigorosas, todos aqueles que de alguma forma ferirem uma mulher.

Eu acredito que senão chegarmos lá, chegaremos perto.

Já será um grande passo. Outro grande passo. Mais um conquistado por vocês, lindas mulheres.

A vocês, minha homenagem, fortes mulheres! Coragem e vamos à luta! Mais uma vez.



Ariadne Catanzaro

sexta-feira, março 02, 2012

O meu amor

Meu amor me acalma
Me alegra
Meu amor me faz sorrir o tempo todo
Meu amor me faz companhia
De noite, de dia
No silêncio do seu olhar demorado
Meu amor ilumina a casa
Enche de música a minha alma logo que amanhece
Meu amor, de violão sereno
Inunda meu corpo de sons
E harmonias
E sinfonias
Que mais do que me completar, me transbordam.
Meu amor é claro
Olhos azuis compreensivos
Mãos firmes
Cheiro bom.
Meu amor me espera
E quando eu chego, meu corpo descansa
Nos braços fortes do meu amor.
Amor especial, o meu
Que me canta em poesias
Que me encanta em afagos
Que me conquista e me seduz
Que manda no meu desassossego.
Sou tua e sou feliz.
Acordo ao teu lado e desejo o infinito do nosso amor.

Ariadne Catanzaro

terça-feira, fevereiro 28, 2012

70 maneiras de ser feliz


Foto: Felipe Adam Kurschat


Todo mundo quer ser feliz, né?

Será? Tem gente que dá a impressão de estar fazendo tudo para ser infeliz.

Tem gente que adora ser infeliz só prá ficar contando pros outros que é infeliz.
Fala a verdade, você conhece ao menos umas duas criaturas assim, não? Ou mais.

Eu conheço várias.

Porém, ai como eu adoro os meios de comunicação de massa, o que não falta é revista que promete centenas de dicas, roteiros com trilha certa, ensinando o pessoal por aí a ser feliz.

Tá vendo? Parece fácil.

Mas é difícil!

Eu listei 70, não mais, não menos. 70 coisas óbvias que nos ajudam a ser felizes.
E este é o meu conselho de hoje: Be Happy. Ok, Mas vamos esclarecer aqui: Nada mais chato do que gente que está sempre feliz, eufórico, falando sem parar, esbanjando felicidade pelos poros. Isso é falso. E chato. Seja feliz na medida certa. Só você vai poder encontrar a medida certa. Nem demais, nem de menos. Apenas sincero.

Porém, preste atenção, bastante atenção: estes conselhos são contra indicados para aquelas pessoas que adoram ser infelizes. Para estas, baby, meu conselho é: Você não é vítima da vida, e pare de querer que os outros acreditem nisso! (mas enfim, este conselho daria outro texto, por isso, xô baixo astral! – lembrou da música da Xuxa? Kkkk)

Vamos lá! Você vai se identificar com alguns e se indignar com outros. Agarre-se, baby, no que você acredita!

Ria de si mesmo (parece óbvio, mas não é assim tão fácil quando se percebe numa situação ridícula); Caia na gandaia; Tome banho de piscina; De cachoeira; De rio; De lagoa; De mar; Trabalhe com o que você gosta; Esteja ao lado de quem te faz sorrir; Conte piadas (mesmo se forem sem graça. As piadas sem graça também fazem os outros rirem); Leia bons livros; Pare de assistir programas sensacionalistas; Não acredite em tudo que você vê no Fantástico. Muitas paranóias da vida moderna surgem de lá!; Beba mais água; Dance como se ninguém estivesse olhando (li isso em algum lugar, e acho lindo. Super recomendo); Cuide bem de você; Coma de 3 em 3 horas; Durma bem; Trabalhe perto de casa; Tenha mais contato com a natureza; Tenha mais contato com a arte; Tire tardes inteiras para não fazer nada; Encontre seus amigos; Saiba a hora de parar de beber. Senão, corre o risco de cair na choradeira e ninguém é feliz chorando de bêbado; Cante; Aprenda a tocar um instrumento; Viaje; Tenha coragem para fazer coisas que você nunca fez; Mande cartas a pessoas que você ama; Brinque com crianças; Brinque com adultos; Aprenda novos idiomas; Estude outras culturas; Assista a filmes poéticos; Escreva poemas (mesmo que seja para guarda-los a 7 chaves e nunca mostra-los para ninguém); Não tenha dó de si mesmo; Não guarde rancor e nem ressentimentos (gente ressentida é um saco, não?); Faça terapia; Passeie com os pés na grama; Tome banho de chuva numa tarde de domingo (banho de chuva quando estamos indo ao trabalho não deixa ninguém feliz, fala sério); Leia Pablo Neruda; Faça arte; Tire fotografias por puro hobby; Trabalhe menos; Evite as pessoas de quem você não gosta; Não se preocupe tanto com seu peso; Goste de você; Vá mais ao cinema; Vá menos ao shopping; Dê mais beijos; Dê mais abraços; Seja ético; Preocupe-se menos; Perdoe mais; Não tenha vergonha de assumir um erro; Esteja preparado para mudanças; Tenha menos frescuras; Não se intrometa na vida dos outros; Cuide bem de seus grandes amigos; Cuide bem do seu amor; Pergunte quando você não entender; Admire quem você ama; Na dúvida, um pretinho básico é sempre elegante; Tenha menos medos; Valorize a parte mais bonita do seu corpo; Não seja sedentário; Espreguice-se; Leia Clarice Lispector; Ouça mais Chico Buarque e menos Ivete Sangalo; (Esta é ótima!) Não se preocupe tanto com a opinião alheia: Adote a filosofia do cavalo na parada de 07 de setembro: cagando, andando e sendo aplaudido.

Ariadne Catanzaro
originalmente postado na coluna Conselhos da Loló, http://expressocatarina.blogspot.com/

domingo, fevereiro 05, 2012

Os dias de hoje, os lixos de hoje

Escolha algo em que acredite, e faça a sua parte. Por uma ética para o século XXI!




Uma vez um executivo amigo meu me contou, com certa inveja, que estava voando ao lado de um outro executivo que exibia orgulhosamente seus aparelhos eletrônicos de última geração. Celular mais moderno, IPod último modelo, e não sei o que mais.

Chegando ao destino, era França no caso, a comissária de bordo trouxe um questionário para eles responderem. Meu amigo rapidamente sacou sua caneta e preencheu, e percebeu que o executivo ao seu lado, entre tantos eletrônicos pós modernos, não tinha sequer uma caneta. Meu amigo, com ironia, ficou só observando um certo desespero do executivo que, em silêncio, lamentava não ter uma simples ferramenta para conseguir preencher o tal questionário.

Meu amigo não teve dúvida. Ao terminar de preencher o questionário, guardou a caneta rapidamente no bolso, e fechou os olhos, fingindo cochilar um cochilo profundo. E pensou sarcasticamente: ‘Faz online e manda imprimir!’.
Sim, ele estava morrendo de inveja dos eletrônicos do vizinho de acento, e se vingou por ter uma simples caneta.

E assim acho que é o mundo de hoje.

Tive recentemente uma reunião de trabalho. Cheguei com uma agenda e uma caneta vermelha, e meu colega com o tablet. Enquanto minha caneta rabiscava o papel da agenda com as futuras providências, meu colega as registrava em tela LCD com as pontas dos dedos.

Teve uma vez que eu quis ser mais ‘prática’, e carreguei comigo meu laptop para uma reunião. Aquele trambolho do meu laptop, ocupando espaço na mesa! Sim, porque os laptops viraram rapidamente um trambolho. Assim como os eletrônicos de última geração do vizinho de acento do meu amigo já devem ter virado sucata, pois esta história me foi contada há uns dois, três anos, e, uau, como os eletrônicos progrediram de lá prá cá.

Hoje os celulares fazem de tudo. Tiram fotos, fazem vídeos, modificam as imagens, mandam emails, torpedos e fazem post em redes sociais. Até te ensinam o caminho! Adeus Guia! Quem precisa de você, quando se tem um celular como este?
Neste quesito, eu sou bem old fashioned! O meu celular é o mesmo há 6 anos. Nem câmera tem. Mas está funcionando bem, e eu não sinto falta de ter uma câmera no celular. E nem acesso à internet. E nem nada além do que meu simples celular me propõe.



Lembra-se antigamente, quando uma pessoa comprava a preço altíssimo uma linha de telefone, e a mantinha para a vida toda? O que hoje em dia as pessoas mantêm para a vida toda?

Em se tratando de eletrônicos: nada! As TVs hoje são fininhas, e as pessoas abandonam seu velho aparelho porque as fininhas são melhores. Sim, porque devem ser melhores, muito melhores, a ponto das pessoas gerarem tanto lixo e sucata eletrônica em prol de uma nova aquisição. Há quem diga que a TV antiga não combina com o sofá.
Minha TV é de tubo. Não pretendo me livrar dela tão cedo. A imagem dela é boa, o som dela é bom. Está tudo bem. E combina com meu sofá.



Meu telefone fixo é com fio. Acho melhor, porque não preciso ficar trocando a bateria de tempos em tempos, e gero assim, menos lixo tóxico ao planeta.
Sim, eu me preocupo com essas coisas. São pequenas, se observarmos tudo ao redor, o tanto de lixo que os valores capitalistas impostos à sociedade geram, o tanto de lixo gerado pelas grandes indústrias, o tanto de poluição que o ‘progresso’ pós moderno cria. Sou só eu, com meu telefone de fio, minha TV de tubo e meu celular sem créditos. Ops, sem câmera.

Mas eu não me importo. E juro que não terei inveja de algum executivo sem caneta ao meu lado. Prometo emprestar a ele minha BIC vermelha, ok?
Sem ressentimentos pós modernos! Eu gosto mesmo é girassóis!
E tenho dito. Ou, tenho digitado, do meu lap top trambolho!

Ariadne Catanzaro

originalmente postado na coluna Conselhos da Loló, http://expressocatarina.blogspot.com/

sexta-feira, janeiro 13, 2012

Filhos. Só os tendo para sabê-lo. Será?

Pois é. Eis a questão do momento. Diz Vinícius de Moraes, no Poema Enjoadinho “Filhos... Filhos? Melhor não tê-los! Mas se não os temos, Como sabê-lo?”
Eu achava que ser mãe era balela.
Sempre quis tanto, que afirmava de boca cheia, que seria uma boa mãe em qualquer fase da minha vida. Tinha nascido para ser mãe.
Pouco antes de engravidar me veio uma crise. “Depois de ter filhos, a gente passa a viver para eles e por eles. Perde autonomia. Fica dependente de alguém que é dependente de você.
Não tem tempo para nada. Educar é difícil. Deve se desprender da vida social por um tempo.”
Fiquei em dúvida. Achei que não queria mais ter filhos.
Mas passou rápido. Logo resolvi que queria sim, e muito, engravidar.
Engravidei 3 meses depois da decisão.
A gravidez foi sofrível. Engordei muito, tive dor nas pernas, dos nas costas, fiquei muito inchada. Mesmo assim, diziam por aí que eu era uma grávida linda. Eu não achava.
Minha filha nasceu saudável e eu me senti a mãe cansada mais feliz do mundo. Ser mãe tem uma ‘coisa de bicho’. De repente sai uma criaturinha de dentro do seu corpo. Nunca tinha sentindo essa ‘coisa de pele’ como senti com a pele da minha filha. Eu fiquei viciada no contato com o corpinho dela, o calor dela no meu colo, o cheiro dela... é indescritível. É coisa de pele mesmo, coisa de bicho, de lamber a cria. Incrível. Nenhuma sensação que eu já havia tido no corpo se compara a ser mãe.
Chorei junto com ela nas crises de cólica, no nascimento dos dentes, nos primeiros tombos e vacinas. Vibrei com ela os primeiros passos e as primeiras palavras. Aplaudi da primeira fileira.
Hoje que sou mãe, olho prá trás e penso na minha afirmação de que eu seria uma boa mãe em qualquer fase da vida. É... hoje eu digo com toda certeza que não sei o que é ser uma boa mãe.
Digo que educar é uma eterna incógnita. Que não sei de nada. Que caminho no escuro na minha maternagem. Sigo instinto, intuição e algumas dicas de livros, sites e revistas. Mas ainda assim é um caminho incerto.
“Filhos... Filhos? Melhor não tê-los! Mas se não os temos, Como sabê-lo?”
Talvez nunca saibamos de nada. Talvez eu nunca tenha certeza se tracei o caminho certo ou o errado. E talvez, sei que é clichê dizer isso, mas talvez não haja apenas dois caminhos: o certo e o errado. Existe a mãe que eu consigo ser. E a filha que ela consegue ser, e mãe que ela me faz ser. E isso se constrói a cada dia. A cada crise de cólica, a cada tombo, a cada mal-criação que ela faz, a cada birra, a cada choro, a cada resfriado, dente que nasce, assadura e denguinho que ela me faz.
Ela vai se construindo como pessoa, com minha ajuda, e eu vou me construindo como mãe com a ajuda dela.
Agora, como sabê-lo? Vivendo. É verdade, Vinícius tinha razão.

Ariadne Catanzaro